quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

BBB 2020 e a quarentena

 Fazia tempo que eu não andava por aqui, pra retomar as atividades, vou aproveitar que o 21° BBB tá quase começando e postar um texto que escrevi ano passado sobre o sucesso de audiência do BBB 20.


Sobre BBB e a quarentena


É interessante observar o movimento das redes sociais nestes dias de isolamento social, o que temos feito para passar o tempo. Estudar, ler, assistir a filmes e séries e ao BBB.


Não vou aqui fazer a discussão sobre alienação, não alienação, manipulação, não manipulação, acho que, de alguma forma, temos o direito de decidir sobre como vamos desligar o nosso cérebro diante de tanto caos social, e não me refiro só aos dias que estamos passando, mas a ordem social mesmo. Mas um fenômeno me chama a atenção: Por que essa edição é tão comentada?


A resposta inicial a essa pergunta pode ser simples e óbvia, "Porque o povo é alienado e manipulado pela Globo", mas toda resposta rápida não é suficiente. Então, pensemos um pouco mais sobre essa edição... temos um BBB formado por ilustres "desconhecidos", ponho entre aspas pelo fato de eles serem desconhecidos pra mim, que, segundo já me disseram, não sei usar as redes sociais 🤷🏽‍♀️. 


Temos no BBB 20 cantores, atores, digitais influencers, namoradas de famosos, esportistas e algumas pessoas comuns. Os seguidores e as seguidoras desse pessoal, os agentes desses artistas, têm bombardeado o Instagram com o cotidiano daquela que já foi, e voltou a ser, a casa mais vigiada do país. Não precisamos mais assistir à Globo para sabermos quem são as pessoas, quais os PT's dados em festa, quem pegou quem, basta clicar na lupinha do Insta que aparece lá, juro pra vocês como demorei muito a ver isso 😅, as imagens que só ficariam disponíveis pelo pay per view, de graça, nas redes sociais. Não sintonizei na Globo, mas consumi seu produto! Jogada fantástica do Boninho! 👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾


Outro ponto que merece ser destacado: As mulheres que estão na casa! Influencers ou não, elas deram voz a um movimento crescente aqui do lado de fora, o Feminismo, e foram, pela primeira vez, destaque em discussões de gênero - não, não estou dizendo aqui que nunca houve esse tipo de debate no programa, claro que teve!, mas essas mulheres têm alguns milhares de seguidores, alguns igualmente famosos, os quais ajudaram a ecoar suas falas dentro do Casa. Tivemos uma edição em que, para além das artimanhas e combinações de votos já tão batidos, a disputa era entre um campo "progressista" e um campo escroto, aquele formado, majoritariamente por mulheres, este composto por, praticamente, todos os homens da casa. Nessa divisão, obviamente, tivemos aqueles e aquelas que ficaram nem lá, nem cá, como na vida real, afinal é um "show de realidade".


É interessante observar pessoas antes completamente alheias ao programa acompanharem a edição deste ano, e sabendo os nomes de cada participante e comentando o programa, porque o mais engraçado é a existência de comentaristas de BBB, eis-me aqui, Brasil! 😅💁🏾‍♀️


Diante de todo esse cenário, não me surpreende essa ser uma edição que quebra vários recordes de votação, mas aí, um acontecimento potencializa o alcance o BBB, a chegada do Corona vírus ao Brasil!


Como medida de contenção da infecção, somos impelidos ao confinamento em nossas casas, sem festa, sem superprodução, sem quarto do líder. Parte da população brasileira, sem TV por assinatura, mas com algum acesso à internet, se rende ao passatempo do momento, assistir ao Big Brother e comprar as brigas como suas, escolher sua/seu favorita(o) e o odiado.


Este BBB é diferente sendo igual!


P.s. Falar de BBB e não falar de paredão é "não estar jogando", então, como não quero ser eliminada, ou cancelada, por não jogar, digo logo que sou #ForaPrior pq ele representa o típico boy lixo da classe média que faz piada machista, é grosseiro e se esconde por trás de "sou sincero!". Manu não é minha favorita dessa edição, mas não tem condições de deixar Prior mais uma semana na casa!


P.s. 2. Quando mencionei que as mulheres fizeram discussões sobre feminismo não estou tentando travar a discussão sobre qual feminismo elas representam.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O teatro mágico é o teatro do nosso interior

Capa do DVD - O Teatro Mágico Entrada para Raros
Misturando variadas representações e formas de fazer artístico, o grupo, ou trupe, como eles referem - se a si mesmos, O Teatro Mágico vem, desde 2003, inovando a arte musical, não só no aspecto visual, figurino e montagem do palco, ambos remetem ao espaço circense. Fazendo um mix de poesias e canções, conseguem encantar e prender a atenção de quem os escuta. 


O primeiro CD, Entrada para Raros, traz, de forma mais marcante, a principal característica da trupe, o jogo com as palavras na busca da construção do sentido. Dessa forma, temos, por exemplo a história do mar que se apaixona por uma menina e a brincadeira com a sonoridade de "Ana e o Mar" e "Mar e Ana", ou ainda a letra de Pratododia - pra todo dia, prato do dia. Ainda ouvimos uma sorte que vira ou que virá num realejo. No entanto, o que mais chama a atenção, a minha pelo menos, é a faixa de abertura, tanto do CD quanto do DVD, Sintaxe à vontade, onde a trupe brinca com as classes gramaticais e funções sintáticas afim de construir um conceito de indivíduo, não um conceito fechado e acabado, mas um livre, dinâmico e mutável.
O Teatro Mágico - Segundo Ato
Já no "segundo ato", o OTM mostra um pouco mais a visão crítica que tem do mundo, sai do espaço individuo, criado no primeiro trabalho, e entra na interação homem - sociedade. O jogo com as palavras ainda é marca registrada da trupe de Fernando Anitelli, compositor das músicas do grupo.

O segundo CD traz a trupe ao mundo real, cheio de cidadãos de papelão, um mundo onde as mídias, como um todo, "controlam" e ao mesmo tempo jogam quantidades abusivas de informações de uma vida que passa à velocidade da luz, interessante como isso tudo passou pela minha cabeça de maneira tão veloz que senti - me cansada. Além de duas temáticas que me são muito caras, a mercantilização do trabalho humano, seja ele braçal, como em "O Mérito e o Monstro", ou intelectual/ artístico, como em "Pena", onde o título da canção, graças a polissemia da palavra, nos permite chegar a duas possíveis e complementares interpretações, "pena" pode indicar dó, e trabalho ao mesmo tempo, "tudo junto agora", a segunda temática é a alienação do indivíduo, e aí podemos citar as várias formas de uma pessoa ser alienada, quanto ao meio, quanto ao outro e quanto a si próprio, de novo o melhor exemplo é "O Mérito e o Monstro", além de "Cidadão de Papelão".


OTM - A Sociedade do Espetáculo
Por fim, A Sociedade do Espetáculo, terceiro trabalho do grupo. A marca desse trabalho é a junção do aspecto lúdico encontrado no primeiro disco e a criticidade do segundo.


Característica deste trabalho é a relação homem - sociedade - mídias, não como "coisas" distintas, mas de forma interacionista, o indivíduo modifica sua sociedade através das mídias sociais, Amanhecerá é uma ótima ilustração para isso.


Os temas mais "românticos", estão de volta nesse álbum, canções como "Nosso Pequeno Castelo", "Você me Bagunça", trazem a questão do sentimento e da "confusão", comoção, estado de graça causadas por ele.


O jogo com as palavras é marca registrada das letras de Anitelli, nos três CD's temos a presença constante desse tipo de artifício literário, o que levaria a qualquer crítico literário traçar um paralelo estilístico com o Barroco, enquadrando dentro do estilo cultista. Contudo, acho difícil tentar classificar O Teatro Mágico dentro de um período Literário, mesmo que leve - se em conta unicamente as letras ou as poesias, enquadrá - los dentro de um estilo musical, ou algum tipo de atividade circense, pois a trupe é tudo isso junto, música, poesia, circo, "até porque tem horas que a gente se pergunta porque é que não se junta tudo numa coisa só"? A construção final das músicas, como já foi dito várias vezes, é dada através da brincadeira com as palavras, mas essa brincadeira é permitida pela proposta do grupo, a ideia de ser leve, lúdica e, principalmente, envolvente.


As canções não são feitas meramente para se ouvir, são feitas para que se pense sobre o que a letra quer dizer, e o OTM faz isso, traz esse trabalho tão satisfatório, acompanhar letra e melodia, a fim de entender os vários significados das palavras. Porque essa é a magia que a trupe encerra, não há uma interpretação final, há uma construção, uma criação, uma constante mudança de homem - sociedade - sociedade - indivíduo.


para os curiosos







quarta-feira, 4 de abril de 2012

E sobre as revoluções no "mundo" árabe

Amanhã... Será? 
O Teatro Mágico


Se aliança dissipar..
E sentença for só desamor!
A tormenta aumentará!
Quando uma comunidade viva!
Insurrece o valor da Paz,
Endurecendo ternamente!

Todo biit, byte, e tera..
Será força bruta a navegar,
Será nossa herança em terra!

Amanhecerá!
De novo em nós!
Amanhã, será?

Amanhecerá!
De novo em nós!
Amanhã, será?

O "post" é voz que vos libertará.
Descendentes tantos insurgirão.
A arma, o réu, o véu que cairá.
Cravos e Tulipas bombardeiam,
Um jardim novo se levantará.
O Jasmim urge do solo sem medo.

O sol reclama no Oriente.
Brada a lua que ilumina.
Rebelando orações e mentes.

Amanhecerá!
De novo em nós!
Amanhã, será?

Letras Canções Poemas


Foge um pouco às postagens que tenho feito, mas sei lá, já que a arte serve à revolução e esta é protagonizada por indivíduos, então vamos nos revolucionar!


Ele é meu silêncio
Tudo que quero gritar
E não posso
Tudo que quero mostrar
E não devo

Dele, eu sou a voz
Sou eu quem ele decifra
Letras Canções e Poemas
É a mim que ele mostra
É a nós que ele exalta

Ele é meu mundo
E eu não posso viver
Ele é tudo que não posso ter

Eu sou um traço mal traçado
O pedaço deslocado
A parte que faltava do todo

Nós somos a combinação perfeita
Ele com sua vida
Eu sem a minha
Ele com a voz
Eu com o silêncio
Ele canta          
Eu escuto
Eu vou
Ele me deixa.
Dizer mais o quê??

Vale a pena chamar a atenção para um detalhe importante, é uma criança NEGRA, pois são os negros quem mais sofrem com a falta de verbas suficientes para os serviços básicos.


segunda-feira, 25 de abril de 2011

Um pouco de música para alegrar a vida, ou não...

PenaO Teatro Mágico
O poeta pena
Quando cai o pano e o pano cai
Um sorriso por ingresso
Falta assunto, falta acesso
Talento traduzido em cédula
E a cédula tronco é cédula mãe solteira

O poeta pena
Quando cai o pano e o pano cai
Acordes em oferta
Cordel em promoção
A prosa presa em papel de bala
Música rara em liquidação

E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
Luz acesa
Lá se dorme um sol em mi menor

Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior
Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior

O palhaço pena
Quando cai o pano e o pano cai
A porcentagem e o verso
Rifa, tarifa e refrão
Talento provado em papel moeda
Poesia metamorfoseada em cifrão

O palhaço pena
Quando cai o pano e o pano cai
Meu museu em obras
Obras em leilão
Atalhos retalhos e sobras
A matemática da arte em papel de pão

E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
Luz acesa
Já se abre um sol em mi maior

Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior
Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior

Sempre que escuto essa música d' O Teatro Mágico não tenho como não pensar na atual Música Popular Brasileira (MPB). O tempo em que Bossa Nova, Rock, ou sua versão pop, Caetano, Gil, Chico Buarque, Mª Betânia e cia era, ou pelo menos deveria ser, chamado de MPB acabou, hoje popular mesmo são esses forros cada vez mais machistas e homofóbicos, swigueira, que põe homens e mulheres pra rebolar numa clara dança de acasalamento, os sertanejos, que agora são UNIVERSITÁRIOS, para não serem tachados de "brega". Nada contra os ritmos ou contra quem os escuta. Minha raiva é que apenas esses ritmos nos são apresentados como forma de distração. Enquanto vários outros artistas/grupos estão alocados em um patamar intitulado "underground' por não terem espaço na grande mídia burguesa, ou não terem contratos assinados com as grandes empresas da música, as gravadoras, que por sua vez lucram absurdos com a venda de cd's e, por isso são radicalmente contra os downloads de músicas e fazem campanhas caríssimas contra a pirataria. Não há motivos para que nos enganemos, a preocupação desses senhores não está na qualidade do som, ou nas noites, dias, meses, semanas ou anos, perdidos para a gravação de um "cd de altíssima qualidade". Na verdade, o medo deles é de que suas contas bancárias diminuam a quantidade de dígitos.É graças a esse medo tamanho que as bandas populares são "forçadas" a gravarem quatro, cinco cd's por ano. E, pensado nisso, eu me pergunto: Será que há tanta criatividade para isso?" Eu mesma me respondo, óbvio que com a ajuda de algumas rádios da nossa região: "Não, não há tanta criatividade assim. Porque se houvesse as bandas de forró, por exemplo, não precisariam ficar copiando as músicas umas das outras. Ninguém pode negar esse fato... algumas músicas fica até difícil, pra não dizer impossível, saber quem gravou ou cantou primeiro.Esse é um outro argumento dos empresários: direitos autorais, se você baixa uma música a pessoa que a escreveu não ganhará nada por isso. E se uma banda famosíssima de swigueira plagia, descaradamente, uma música de uma banda de rock? O autor original da música ganhará algo? Ah, não, mas é porque de banda para banda pode, já que o lucro de alguém está sendo garantido. Então sejamos realista, são dois pesos e duas medidas... muito bom.Não estou dizendo que um compositor, cantor, guitarrista, baixista, etc., não devam ganhar por seus trabalhos, pelo contrário, devem sim, afinal eles trabalharam e tem o direito de ganhar por seu trabalho, assim como todo trabalhador. O problema é quando o trabalho vira propriedade privada de um outrem que não necessariamente foi quem realizou o trabalho de fato. O problema é quando esse trabalho é tomado como posse com o intuito de subjulgar um determinado grupo de pessoas, ou classe se você preferir; o problema é quando a arte, seja ela expressa da forma como for, é utilizada para dominar toda uma classe social, a classe trabalhadora; o problema é quando o artista começa a ser avaliado não pela qualidade de sua obra, mas pela quantidade; O PROBLEMA É QUANDO A ARTE É USADA PARA DOMINAÇÃO!!!!!!!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A Rede

Depois de algum tempo em off, em todos os aspectos que a vida possa nos exigir, decidi que já estava mais do que na hora de escrever algo, nem que fosse pura besteira...
Não é nenhuma novidade cinematográfica o filme A Rede Social, que tem por objetivo narrar toda a história de um dos maiores, se não o maior, sites de relacionamento da atualidade. Não vou aqui tecer críticas ao filme, até porque não o assisti e não gosto de fazer críticas lendo a dos outros, na verdade, o propósito é justamente falar sobre essa onda, essa febre das redes sociais, são tantas que às vezes você troca seu login, sua senha, pelo menos eu esqueço... ainda bem que o pioneiro, eu acho, o msn, resolve os nossos os problemas e permite que nos conectemos de uma vez... o yahoo copiou. Ops!, faz um tempo que são do mesmo dono. Aff!!!!!!
Enfim, deixemos de tanto blá, blá, blá...
Se algum dia nos fosse perguntado para que servem as redes sociais, certamente responderíamos que serve para reencontrar amigos distantes, para "conhecer" novas pessoas, ou seja, para a socialização. Mas será que há uma socialização de fato, ou é só uma escapatória, uma fuga de uma realidade e uma dinâmica de vida tão duras que não nos permitem reencontrar os velhos amigos ou fazer novas amizades?
Na verdade nos é (im) posto uma tal falta de tempo para mantermos, fazermos amizades, que é muito mais simples, mais prático e mais eficiente, essa é a ideia que nos transmitem, manter - nos conectado ao facebook, twitter, msn, ou qualquer outra rede "social", já que dessa forma podemos "conversar" com todos os nossos amigos ao mesmo tempo, agora, enquanto lemos um livro, trabalhamos e escrevemos algo, porque tudo não passa de uma otimização do tempo.
O tempo é o mestre das nossas vidas... não temos tempo de ler um bom livro, nos contentamos com os resumos, não temos tempo, às vezes nem dinheiro, de ir ao cinema ver um filme, baixamos da internet, não temos tempo pra encontrar uma grande amiga que precisa conversar de verdade, não teclar... não temos tempo para dizer "eu te amo" as pessoas realmente importante em nossas vidas porque mal a encontramos.
Não temos tempo, e essa falta de tempo é consequência do sistema no qual vivemos, é esse sistema capitalista que nos inclausura, que limita nossas relações pessoais, que nos deixa sozinhos, mas cheio de amigos que, contraditoriamente, nunca vemos e nunca vimos.
Mas o problema ainda não é só esse, ainda esbarramos na questão da acessibilidade, porque nem todos tem um pc em casa. A maioria dos jovens, filhos da classe trabalhadora, dependem de lan houses, gastam parte de seus dinheiros, que não é muito, nesses espaços para terem acesso e receberem os parabéns pelo seu aniversário que seu colega de classe deixou em sua página de recados.
Segundo a revista R, publicação da Juventude do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado - PSTU - estima - se que 78% dos jovens brasileiros tenham algum tipo de acesso à internet (...) no entanto, este acesso é bastante estratificado de acordo com a classe social e região dos jovens. A juventude é a faixa etária que mais navega em lan houses e garantir que a população tenha acesso ao mar de informações do mundo virtual significa enfrentar - se com grandes multinacionais das redes telefênicas como a Oi, aqui no Ceará, ou a Telefônica, na região Sudeste.

Copa América no Brasil: para além do futebol, um conflito econômico, político e sanitário.¹

Meme sobre a realização da Copa América no Brasil Depois das desistências de Colômbia e Argentina em sediar a Copa América, a Conmebol opta ...