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| Capa do DVD - O Teatro Mágico Entrada para Raros |
O primeiro CD, Entrada para Raros, traz, de forma mais marcante, a principal característica da trupe, o jogo com as palavras na busca da construção do sentido. Dessa forma, temos, por exemplo a história do mar que se apaixona por uma menina e a brincadeira com a sonoridade de "Ana e o Mar" e "Mar e Ana", ou ainda a letra de Pratododia - pra todo dia, prato do dia. Ainda ouvimos uma sorte que vira ou que virá num realejo. No entanto, o que mais chama a atenção, a minha pelo menos, é a faixa de abertura, tanto do CD quanto do DVD, Sintaxe à vontade, onde a trupe brinca com as classes gramaticais e funções sintáticas afim de construir um conceito de indivíduo, não um conceito fechado e acabado, mas um livre, dinâmico e mutável.
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| O Teatro Mágico - Segundo Ato |
O segundo CD traz a trupe ao mundo real, cheio de cidadãos de papelão, um mundo onde as mídias, como um todo, "controlam" e ao mesmo tempo jogam quantidades abusivas de informações de uma vida que passa à velocidade da luz,
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| OTM - A Sociedade do Espetáculo |
Característica deste trabalho é a relação homem - sociedade - mídias, não como "coisas" distintas, mas de forma interacionista, o indivíduo modifica sua sociedade através das mídias sociais, Amanhecerá é uma ótima ilustração para isso.
Os temas mais "românticos", estão de volta nesse álbum, canções como "Nosso Pequeno Castelo", "Você me Bagunça", trazem a questão do sentimento e da "confusão", comoção, estado de graça causadas por ele.
O jogo com as palavras é marca registrada das letras de Anitelli, nos três CD's temos a presença constante desse tipo de artifício literário, o que levaria a qualquer crítico literário traçar um paralelo estilístico com o Barroco, enquadrando dentro do estilo cultista. Contudo, acho difícil tentar classificar O Teatro Mágico dentro de um período Literário, mesmo que leve - se em conta unicamente as letras ou as poesias, enquadrá - los dentro de um estilo musical, ou algum tipo de atividade circense, pois a trupe é tudo isso junto, música, poesia, circo, "até porque tem horas que a gente se pergunta porque é que não se junta tudo numa coisa só"? A construção final das músicas, como já foi dito várias vezes, é dada através da brincadeira com as palavras, mas essa brincadeira é permitida pela proposta do grupo, a ideia de ser leve, lúdica e, principalmente, envolvente.
As canções não são feitas meramente para se ouvir, são feitas para que se pense sobre o que a letra quer dizer, e o OTM faz isso, traz esse trabalho tão satisfatório, acompanhar letra e melodia, a fim de entender os vários significados das palavras. Porque essa é a magia que a trupe encerra, não há uma interpretação final, há uma construção, uma criação, uma constante mudança de homem - sociedade - sociedade - indivíduo.
para os curiosos



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