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quinta-feira, 5 de abril de 2012

O teatro mágico é o teatro do nosso interior

Capa do DVD - O Teatro Mágico Entrada para Raros
Misturando variadas representações e formas de fazer artístico, o grupo, ou trupe, como eles referem - se a si mesmos, O Teatro Mágico vem, desde 2003, inovando a arte musical, não só no aspecto visual, figurino e montagem do palco, ambos remetem ao espaço circense. Fazendo um mix de poesias e canções, conseguem encantar e prender a atenção de quem os escuta. 


O primeiro CD, Entrada para Raros, traz, de forma mais marcante, a principal característica da trupe, o jogo com as palavras na busca da construção do sentido. Dessa forma, temos, por exemplo a história do mar que se apaixona por uma menina e a brincadeira com a sonoridade de "Ana e o Mar" e "Mar e Ana", ou ainda a letra de Pratododia - pra todo dia, prato do dia. Ainda ouvimos uma sorte que vira ou que virá num realejo. No entanto, o que mais chama a atenção, a minha pelo menos, é a faixa de abertura, tanto do CD quanto do DVD, Sintaxe à vontade, onde a trupe brinca com as classes gramaticais e funções sintáticas afim de construir um conceito de indivíduo, não um conceito fechado e acabado, mas um livre, dinâmico e mutável.
O Teatro Mágico - Segundo Ato
Já no "segundo ato", o OTM mostra um pouco mais a visão crítica que tem do mundo, sai do espaço individuo, criado no primeiro trabalho, e entra na interação homem - sociedade. O jogo com as palavras ainda é marca registrada da trupe de Fernando Anitelli, compositor das músicas do grupo.

O segundo CD traz a trupe ao mundo real, cheio de cidadãos de papelão, um mundo onde as mídias, como um todo, "controlam" e ao mesmo tempo jogam quantidades abusivas de informações de uma vida que passa à velocidade da luz, interessante como isso tudo passou pela minha cabeça de maneira tão veloz que senti - me cansada. Além de duas temáticas que me são muito caras, a mercantilização do trabalho humano, seja ele braçal, como em "O Mérito e o Monstro", ou intelectual/ artístico, como em "Pena", onde o título da canção, graças a polissemia da palavra, nos permite chegar a duas possíveis e complementares interpretações, "pena" pode indicar dó, e trabalho ao mesmo tempo, "tudo junto agora", a segunda temática é a alienação do indivíduo, e aí podemos citar as várias formas de uma pessoa ser alienada, quanto ao meio, quanto ao outro e quanto a si próprio, de novo o melhor exemplo é "O Mérito e o Monstro", além de "Cidadão de Papelão".


OTM - A Sociedade do Espetáculo
Por fim, A Sociedade do Espetáculo, terceiro trabalho do grupo. A marca desse trabalho é a junção do aspecto lúdico encontrado no primeiro disco e a criticidade do segundo.


Característica deste trabalho é a relação homem - sociedade - mídias, não como "coisas" distintas, mas de forma interacionista, o indivíduo modifica sua sociedade através das mídias sociais, Amanhecerá é uma ótima ilustração para isso.


Os temas mais "românticos", estão de volta nesse álbum, canções como "Nosso Pequeno Castelo", "Você me Bagunça", trazem a questão do sentimento e da "confusão", comoção, estado de graça causadas por ele.


O jogo com as palavras é marca registrada das letras de Anitelli, nos três CD's temos a presença constante desse tipo de artifício literário, o que levaria a qualquer crítico literário traçar um paralelo estilístico com o Barroco, enquadrando dentro do estilo cultista. Contudo, acho difícil tentar classificar O Teatro Mágico dentro de um período Literário, mesmo que leve - se em conta unicamente as letras ou as poesias, enquadrá - los dentro de um estilo musical, ou algum tipo de atividade circense, pois a trupe é tudo isso junto, música, poesia, circo, "até porque tem horas que a gente se pergunta porque é que não se junta tudo numa coisa só"? A construção final das músicas, como já foi dito várias vezes, é dada através da brincadeira com as palavras, mas essa brincadeira é permitida pela proposta do grupo, a ideia de ser leve, lúdica e, principalmente, envolvente.


As canções não são feitas meramente para se ouvir, são feitas para que se pense sobre o que a letra quer dizer, e o OTM faz isso, traz esse trabalho tão satisfatório, acompanhar letra e melodia, a fim de entender os vários significados das palavras. Porque essa é a magia que a trupe encerra, não há uma interpretação final, há uma construção, uma criação, uma constante mudança de homem - sociedade - sociedade - indivíduo.


para os curiosos







segunda-feira, 25 de abril de 2011

Um pouco de música para alegrar a vida, ou não...

PenaO Teatro Mágico
O poeta pena
Quando cai o pano e o pano cai
Um sorriso por ingresso
Falta assunto, falta acesso
Talento traduzido em cédula
E a cédula tronco é cédula mãe solteira

O poeta pena
Quando cai o pano e o pano cai
Acordes em oferta
Cordel em promoção
A prosa presa em papel de bala
Música rara em liquidação

E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
Luz acesa
Lá se dorme um sol em mi menor

Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior
Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior

O palhaço pena
Quando cai o pano e o pano cai
A porcentagem e o verso
Rifa, tarifa e refrão
Talento provado em papel moeda
Poesia metamorfoseada em cifrão

O palhaço pena
Quando cai o pano e o pano cai
Meu museu em obras
Obras em leilão
Atalhos retalhos e sobras
A matemática da arte em papel de pão

E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
Luz acesa
Já se abre um sol em mi maior

Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior
Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior

Sempre que escuto essa música d' O Teatro Mágico não tenho como não pensar na atual Música Popular Brasileira (MPB). O tempo em que Bossa Nova, Rock, ou sua versão pop, Caetano, Gil, Chico Buarque, Mª Betânia e cia era, ou pelo menos deveria ser, chamado de MPB acabou, hoje popular mesmo são esses forros cada vez mais machistas e homofóbicos, swigueira, que põe homens e mulheres pra rebolar numa clara dança de acasalamento, os sertanejos, que agora são UNIVERSITÁRIOS, para não serem tachados de "brega". Nada contra os ritmos ou contra quem os escuta. Minha raiva é que apenas esses ritmos nos são apresentados como forma de distração. Enquanto vários outros artistas/grupos estão alocados em um patamar intitulado "underground' por não terem espaço na grande mídia burguesa, ou não terem contratos assinados com as grandes empresas da música, as gravadoras, que por sua vez lucram absurdos com a venda de cd's e, por isso são radicalmente contra os downloads de músicas e fazem campanhas caríssimas contra a pirataria. Não há motivos para que nos enganemos, a preocupação desses senhores não está na qualidade do som, ou nas noites, dias, meses, semanas ou anos, perdidos para a gravação de um "cd de altíssima qualidade". Na verdade, o medo deles é de que suas contas bancárias diminuam a quantidade de dígitos.É graças a esse medo tamanho que as bandas populares são "forçadas" a gravarem quatro, cinco cd's por ano. E, pensado nisso, eu me pergunto: Será que há tanta criatividade para isso?" Eu mesma me respondo, óbvio que com a ajuda de algumas rádios da nossa região: "Não, não há tanta criatividade assim. Porque se houvesse as bandas de forró, por exemplo, não precisariam ficar copiando as músicas umas das outras. Ninguém pode negar esse fato... algumas músicas fica até difícil, pra não dizer impossível, saber quem gravou ou cantou primeiro.Esse é um outro argumento dos empresários: direitos autorais, se você baixa uma música a pessoa que a escreveu não ganhará nada por isso. E se uma banda famosíssima de swigueira plagia, descaradamente, uma música de uma banda de rock? O autor original da música ganhará algo? Ah, não, mas é porque de banda para banda pode, já que o lucro de alguém está sendo garantido. Então sejamos realista, são dois pesos e duas medidas... muito bom.Não estou dizendo que um compositor, cantor, guitarrista, baixista, etc., não devam ganhar por seus trabalhos, pelo contrário, devem sim, afinal eles trabalharam e tem o direito de ganhar por seu trabalho, assim como todo trabalhador. O problema é quando o trabalho vira propriedade privada de um outrem que não necessariamente foi quem realizou o trabalho de fato. O problema é quando esse trabalho é tomado como posse com o intuito de subjulgar um determinado grupo de pessoas, ou classe se você preferir; o problema é quando a arte, seja ela expressa da forma como for, é utilizada para dominar toda uma classe social, a classe trabalhadora; o problema é quando o artista começa a ser avaliado não pela qualidade de sua obra, mas pela quantidade; O PROBLEMA É QUANDO A ARTE É USADA PARA DOMINAÇÃO!!!!!!!

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